segunda-feira, 23 de novembro de 2015

escrever para não esquecer

vivo nesta terra há noventa e dois dias. três meses amanhã. noventa e dois dias inteiros, menos três passados em portugal há um mês e meio.
não adoro viver aqui. nunca adoro. nunca detesto. já sabia que assim seria. gosto de londres (também) por isso. não é uma paixão, não é uma coisa violenta nem irracional. vivo bem aqui, funciono bem aqui. adaptei-me rápido, os dias passam rápido, uns a seguir aos outros, curtos, cada vez mais curtos. a falta de sol custa de vez em quando.
não sou estridentemente feliz aqui mas há uma calma, uma paz que em lisboa eram raras. como são raros os momentos puramente felizes por aqui. das angústias trouxe algumas, que me visitam em noites mais compridas, muitas outras ficaram em casa.
vivo os ciclos que sempre vivi, o cenário é diferente mas reconheço quase tudo o resto. em setembro as angústias da insegurança que dão os princípios. como detesto princípio. outubro de saudades e o descontrolo que me trazem, tudo acalma e se adoça em novembro, como gosto de novembro.