era bonita mas sem ser muito. nem se notava que era bonita. mas a verdade é que era. qualquer pessoa conseguia ver, bastava olhar com mais atenção.
usava a roupa de quem se preocupa com aquilo que tem no roupeiro mas não perde nem um bocadinho a escolher aquilo que veste de manhã. as combinações eram um pouco estranhas mas sem nunca serem excêntricas, sempre discretas, como ela.
o cabelo deixava perceber que não passava muito tempo à do espelho de manhã mas mesmo sem chegar perto conseguíamos adivinhar o cheiro a lavanda.
andava por entre as gotas da chuva, mal se dava por ela. não fazia parar o trânsito, não chamava as atenções porque, na verdade, não as queria para nada.
usava cinzento. às vezes com preto ou com castanho. às vezes com azul.
normalmente condizia com o tempo... achávamos que era uma espécie de camuflagem.
se era verão e estava sol e condizia. e usava roupas claras e frescas, e cantarolava baixinho, apanhava o cabelo, olhava para o céu, andava sem nada nas mãos.
se era inverno e chovia ela soltava o cabelo. e andava carregada de sacos e guarda chuvas outras coisas. e vestia roupas escuras e pesadas e olhava para o céu.
era quase sempre parecida com a paisagem, misturava-se por entre todas as outras pessoas.
mas era realmente diferente.