domingo, 30 de novembro de 2014

esperança

pode ser só uma estante nova. branca. os meus livros arrumados.
esperança pode ser só acordar.
a vontade de ir é igual à esperança de arranjar razões para ficar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

se eu ficar aqui para sempre...

e se correr tudo ao contrário? e se eu não for capaz?


gostava de viver só a pensar em coisas bonitas, a fazer coisas bonitas.

mantra

com calma. devagarinho. faz um chá numa taça e pega-lhe com as duas mãos. faz o mesmo à vida, pega-lhe com as duas mãos. com cuidado.
faz listas pequeninas. cumpre-as. concede-te o prazer de ver uma lista cumprida em vez de comprida.
diz que sim. diz que não. porque de nada vale o teu sim se não souberes dizer que não.
devagar. mastiga devagar, descasca as tangerinas devagar, anda devagar. aproveita o inverno para ser mais devagar.
acorda mais cedo, aproveita a luz. não deixes de correr. nada é mais importante que dormir bem, comer bem e correr de vez em quando. o resto resolve-se sozinho.
tens tempo. descobre o caminho a andar. sem pressas.
lembra-te todos os dias de todos os teus amigos, agradece cada um.
não te escondas das saudades, elas apanham-te sempre.
não queiras ser o máximo.
dá tudo o que tens e vais ser.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

quase nunca sorria

era bonita mas sem ser muito. nem se notava que era bonita. mas a verdade é que era. qualquer pessoa conseguia ver, bastava olhar com mais atenção.
usava a roupa de quem se preocupa com aquilo que tem no roupeiro mas não perde nem um bocadinho a escolher aquilo que veste de manhã. as combinações eram um pouco estranhas mas sem nunca serem excêntricas, sempre discretas, como ela.
o cabelo deixava perceber que não passava muito tempo à do espelho de manhã mas mesmo sem chegar perto conseguíamos adivinhar o cheiro a lavanda.
andava por entre as gotas da chuva, mal se dava por ela. não fazia parar o trânsito, não chamava as atenções porque, na verdade, não as queria para nada.
usava cinzento. às vezes com preto ou com castanho. às vezes com azul.
normalmente condizia com o tempo... achávamos que era uma espécie de camuflagem.
se era verão e estava sol e condizia. e usava roupas claras e frescas, e cantarolava baixinho, apanhava o cabelo, olhava para o céu, andava sem nada nas mãos.
se era inverno e chovia ela soltava o cabelo. e andava carregada de sacos e guarda chuvas outras coisas. e vestia roupas escuras e pesadas e olhava para o céu.
era quase sempre parecida com a paisagem, misturava-se por entre todas as outras pessoas.
mas era realmente diferente.


a casa

nem era bem uma casa. não tinha portas, nem janelas, nem paredes, nem tectos, nem telhado, nem chaminé. não tinha nada daquilo que uma casa deve ter… se pedíssemos a uma criança que desenhasse uma casa, por certo não seria nada parecido com aquilo. 
mas era a casa. não é  preciso ser uma casa para ser a casa.
-se calhar podíamos inventar outro nome… - disse ele.
-nem pensar, se lhe deixarmos de chamar casa deixamos de poder viver aqui… ficamos sem casa. eu não quero ficar sem casa.
-mas podíamos inventar outro nome, um nome só nosso, pequenino, quente, um nome a condizer.
-casa, casa. consegues pensar em alguma coisa mais quente, mais aconchegante. é um nome pequenino, como tu querias… como a casa.



sábado, 8 de novembro de 2014

à beira de um ataque de nervos

apesar de tudo continuo a acreditar que sou melhor que isto, a lembrar-me de quem fui. a ter esperança. preciso de aprender a pedir ajuda. preciso de coragem.