segunda-feira, 23 de novembro de 2015

escrever para não esquecer

vivo nesta terra há noventa e dois dias. três meses amanhã. noventa e dois dias inteiros, menos três passados em portugal há um mês e meio.
não adoro viver aqui. nunca adoro. nunca detesto. já sabia que assim seria. gosto de londres (também) por isso. não é uma paixão, não é uma coisa violenta nem irracional. vivo bem aqui, funciono bem aqui. adaptei-me rápido, os dias passam rápido, uns a seguir aos outros, curtos, cada vez mais curtos. a falta de sol custa de vez em quando.
não sou estridentemente feliz aqui mas há uma calma, uma paz que em lisboa eram raras. como são raros os momentos puramente felizes por aqui. das angústias trouxe algumas, que me visitam em noites mais compridas, muitas outras ficaram em casa.
vivo os ciclos que sempre vivi, o cenário é diferente mas reconheço quase tudo o resto. em setembro as angústias da insegurança que dão os princípios. como detesto princípio. outubro de saudades e o descontrolo que me trazem, tudo acalma e se adoça em novembro, como gosto de novembro.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

travessa do moínho de milho

ser feliz aqui é diferente...

memória de arroz

quando era pequena às vezes o arroz branco vinha em forma de bolo, no prato, ao lado de um bife geralmente.
nas minhas férias de algarve havia sempre um dia em que comíamos pudim de arroz, que era arroz com atum e tomate, numa forma de pudim. frio e com um buraco no meio. eu gostava. nunca mais comi mas acho que deve saber a bóias amarelas e toldos às riscas.
na primária levava o almoço para a escola num termos (como é que se escreve termos?). todos os dias tomava o pequeno almoço à mesa da cozinha, pão de leite com queijo e leite pela palhinha, enquanto o dito termos era preparado ali ao lado. nunca perguntei o que ia lá dentro. era sempre uma surpresa quando o abria, no colégio, quatro horas mais tarde. rezava sempre para que não fosse arroz branco com ovos mexidos e fiambre. às vezes era. nunca disse a ninguém que não gostava e que aquilo ficava sempre com uma água esquisita. não sei porquê. não a água mas o não ter dito.
quando éramos pequenos havia muita coisa que não contávamos aos adultos. não era para contar tudo. havia segredos e era assim que era para ser. coisas que eram só dos adultos e coisas que eram só nossas. às vezes tínhamos conversas, longas e importantes ou circunstanciais e irrelevantes. mas nunca contávamos tudo, nem sempre tudo o que contávamos era verdade. inventávamos histórias, coisas que se tinham passado na escola, amigos que imaginávamos, aperfeiçoando o relato e os detalhes. a verdade era quase sempre só para nós. demasiado fantástica para eles acreditarem.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

o cabelo é que já parava de cair

estás em londres e por isso também ouves beatles.
tentar criar uma banda sonora desta vida nova.
b fachada, sérgio e chico continuam mas há espaço para outros.
my darlings.

james, daniel, helen, frances, miguel

hoje acordei com sol.
esta casa com sol é mais a minha casa porque faz lembrar casa.
e música brasileira.
um nó na garganta que vai passando.
15 dias.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

com cuidado

respirar isto tudo.
a minha casa.
a minha casa.
repete.
a minha casa.
os comboios e a noite lá fora.
a máquina da roupa e a música certa ao fundo.
cada vez tudo mais certo.
não vai ser tudo fácil.
não é tudo fácil.
a minha casa.
a minha vida nova.
repete.


sábado, 4 de julho de 2015

50 dias

ler os primeiros textos deste blogue é ficar muito orgulhosa.
mas também é ter medo.
não faças porcaria agora, não faças.

mil borboletas na barriga. está mesmo quase.

não gosto dos reflexivos dos verbos

sei que estou [apesar das agústias] num tempo muito especial.
tenho em mim todos os sonhos que são meus.
como há muito não tinha.
confio no futuro como se há muito tempo nos conhecessemos.
como se apenas nos fossemos reencontrar em breve.

há uma enorme serenidade que é companhia de toda a histeria da novidade.
sei que vivo um tempo especial.
sei que vou lembrar muitas vezes este verão.
em que a vida estava quase a começar.


se calhar é tempo a mais a pensar

estar à espera não é o melhor do mundo.
mesmo quando é uma espera com muita esperança.
com muita confiança.
ando sem paciência e apetecia-me tudo para a semana.
não precisa de ser amanhã. mas para a semana.
por outro lado há mil coisas a fazer antes de ir.
não gosto da angústia destes tempos.
embora disfarçada com uma felicidade grande e real.
a angústia traz pensamentos que não me apetecem.
também pode ser só outra história a chegar.


sábado, 20 de junho de 2015

nascer

um sonho a concretizar-se é como um bebé a nascer.
é bom, incrível, um milagre.
ser feliz, a explodir, apaixonada.

é medo também.
a responsabilidade ali, ao nosso colo, nas nossas mãos.

tão leve e tão pesada.

tenho tantos planos para ti. só espero que sejas feliz. só espero não fazer asneira.


agora já cá estás.